Avólice

Ela é o lugar de repouso, deste coração desassossegado que mal me cabe no peito, sempre apertado, meio em desalinho, tão ansioso e imperfeito.

A definição que nunca se conteria em palavras, que se extrapolaria sempre em exaltações de absoluta verdade e de doses esmagadoras de amor. 

O meu forte, o reflexo onde me procuro e onde anseio poder um dia, ver-me refletida. 

As horas infindáveis em que a voz dela me faz vaguear por essa outra Lisboa, em que pela primeira e única vez se apaixonou. E eu passeio por entre lugares de outros tempos com ela pela mão, conhecendo e reconhecendo personagens e momentos de uma história que um dia derramarei num livro. 

E hoje eu sou muito do que ela foi, ousando ser ainda tudo o que ela também poderia ter sido. Hoje também eu a levo, nas minhas infinitas viagens, absorvendo tudo com a minha inesgotável vontade e a sua eterna e pueril curiosidade, que este coração herdou. 

Ela que é minha mãe duas vezes, meu berço, meu ponto de partida e chegada. 

Ainda não fechei a mala e já te levo na saudade, Minha querida. 

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