Veneziana

Meio amor,

meio lugar de assombro.

Uma estranha segunda pele,

que no fundo não nos serve.

Uma ampliação do ser,

numa ausência do estar.

Uma incansável busca semântica,

entrecortada pelos paradigmas de uma suposta verdade.

Uma alegada conformidade com a realidade,

vencida pelo cansaço extremo do invisível.

Como se nos fosse legítimo falar de axiomas

quando o amor se reveste de tão poucas certezas.

Criação de dogmas,

para uma linguagem que no fundo

não se traduz em palavras.

E o fruto de toda essa inquietação

a chegar em desalinho.

Um frio boreal,

que desconcerta os colarinhos que se querem sempre aprumados.

Um coração de eterno inverno,

que nunca se resigna

e que se deita sempre sequioso,

pela possibilidade de uma manhã de sol.

 

 

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