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Pyar

Love is strange.

Unreal ike an hallucination,

unexpected like a typhoon.

 

Sometimes is a mere void,

an imminent abyss,

or a window that you cannot open.

Like a shapeless unsounded dream,

a black and white tv,

or a Monday morning.

 

Love is alien.

Like a foreign country,

a Chinese book,

or a flavor your tongue cannot identify.

 

Love is an undecipherable riddle.

And its the only thing

that even when its bad,

can taste good.

 

 

 

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14

Não lhe reconheço força

nem pureza.

O que por aqui enxergo

é mais uma exibição ridícula,

quase pueril

por ser ainda tão vazia de sentido,

quase teatral

por ter tão pouco de verdade.

Estranha parafernália essa,

de um mundo tão distante

que se poderia pintar apenas de rosa e encarnado.

Como se por obra do divino ou do acaso,

todos tivéssemos escolhido hoje, para gritarmos ao mundo,

o que nos vai ao peito.

Como se o amor pudesse ser rótulo,

como se o que não se explica

pudesse agora ser de encomenda,

neste estranho mundinho de one size fits all. 

E eu fujo

desta encenação que me fere a vista,

onde se vende amor de trazer por casa

ainda a preço de saldo.

Porque hoje,

como em todos os outros dias,

tenho o coração em aplasia

e a saudade ainda não tem tradução.

 

 

Habitáculo

E de repente,

o verão é a única estação do ano.

Mesmo quando a chuva cai

em torrentes apocalípticas,

mesmo quando todos os telhados se fazem brancos,

ou mesmo, quando eu e uma botija de água quente,

nos transformamos num único ser.

Mesmo quando a distância

não se dobra,

e os dias,

correm penosamente longos.

Mesmo quando tudo o que é palpável

parece tão longínquo

e os planos, são só planos.

Listas infindáveis de vontades em papel

e as folhas no calendário estáticas.

Mesmo quando tudo parece em suspenso

mesmo quando vivemos em espera

e o tempo se move a duas velocidades diferentes.

Mesmo assim,

continuas a saber-me a mar.

 

Esteio

É um nano segundo.

Tão ínfimo como

uma micro partícula de ar atmosférico

a criar revolta por entre as folhas queimadas

de um inverno demasiado espesso.

Tanto de breve como de instantâneo,

como esse primero café,

numa noite de frio polar,

onde as horas nos escaparam por entre os dedos

e o locutor de rádio se calou

para nos ouvir divagar sobre tudo e sobre nada.

Quase microscópico,

invisível aos olhos,

passível de ser mágico

e de pertencer a outros mundos não terrestres.

 

Mas nesse compasso de tempo,

cabe de repente o meu mundo inteiro,

e quão pesado é já esse mundo que carrego.

E pela primeira vez,

eu sinto onde me pertenço.

Sinto que o amor não tem morada.

E que contigo,

cheguei finalmente a Casa.

Hiperfísico

A ausência pode mesmo ser

um mero fio de fumo nos confins do mar.

Porque hoje constato que é possível

haver uma presença constante,

mesmo que impalpável,

mesmo que quase fantasmagórica.

Transmitida por estranhos fios condutores,

captada apenas e só através desses estranhos satélites,

que habitam no lado esquerdo do nosso peito.

Uma experiência extrasensorial,

onde o longe se faz perto

e onde a solidão se dissipa

como a morte da neve que nos escorre pelos ombros,

nessas sombrias manhãs polares.

 

Esdrúxulo

Primeiro fôlego,

acre, meio agreste.

Semblantes cinzentos,

pintados de uma palidez sinistra,

meio fantasmagórica, meio digna de tempos longínquos.

um frio que desenha caminhos sinuosos nas palmas das mãos.

Um estranho encontro entre passado e futuro,

arquitetura e globalização.

Num segundo fôlego,

já se vislumbra um pedaço de sol

por entre um reino governado por nuvens.

E eu percebo que este amor será difícil

mas que no meio de uma praça pode acontecer um arco-íris.

Percebo que voltei a escrever na rua,

no velho caderninho, num banco de jardim,

sorvendo a envolvência e sugando vidas alheias.

Percebo que este lugar de silêncio ensurdecedor,

talvez seja agora o meu lugar.

 

Lacre

Selo as palavras dentro do envelope.

Como se lá pudesse depositar parte do coração.

Como se fosse cirurgicamente possível

entregar-te o que sinto,

por entre artérias, aurículas e vasos sanguíneos.

Transformar este batimento de corredor,

em possíveis linhas de desabafo.

Desobstruir de leve esse aperto,

esse espaço vazio em que ecoa a tua voz.

Transformar saudades em advérbios e

desejos em fúrias de adjetivos.

Criar relógios imaginários

que se movem com a força do querer.

E da lonjura fazer iminência.

Ousando de métodos temerários

para que o norte nunca se dissipe

e o plano nunca se altere.

Ademonia

Essa sensação acre

de torrentes de palavras vagas,

discursos néscios,

verborreias do absurdo.

Gritarias sem norte,

onde se imploram absolvições

por meio de insultos.

Onde se esgotam fôlegos,

se cantam impropérios

e pelo meio do cansaço,

não se vencem guerras nem batalhas.

A interferência constante,

como se duas línguas diferentes se digladiassem,

na esperança vã de uma vitória que nunca se anunciará.

E no final do dia,

o derrube pelo esgotamento.

A finitude dos movimentos,

e a trepidez das coronárias

a roubar-nos a possibilidade de atingirmos a desejada insensibilidade dos sentidos.

 

 

 

 

 

Veneziana

Meio amor,

meio lugar de assombro.

Uma estranha segunda pele,

que no fundo não nos serve.

Uma ampliação do ser,

numa ausência do estar.

Uma incansável busca semântica,

entrecortada pelos paradigmas de uma suposta verdade.

Uma alegada conformidade com a realidade,

vencida pelo cansaço extremo do invisível.

Como se nos fosse legítimo falar de axiomas

quando o amor se reveste de tão poucas certezas.

Criação de dogmas,

para uma linguagem que no fundo

não se traduz em palavras.

E o fruto de toda essa inquietação

a chegar em desalinho.

Um frio boreal,

que desconcerta os colarinhos que se querem sempre aprumados.

Um coração de eterno inverno,

que nunca se resigna

e que se deita sempre sequioso,

pela possibilidade de uma manhã de sol.

 

 

Debandada

E eu fujo,

dessa estranha efemeridade,

perniciosa dos lugares comuns.

Do vazio desses lugares sem eco,

onde o uníssono se perpetua,

pela simples falta de assunto

ou pela condescendente exaltação do óbvio.

Chinfrins desgovernados,

presos a línguas perversas,

talvez entediados de vidas insossas,

talvez sedentos de alguma acidez maliciosa.

Juizes numa terra sem lei,

crentes numa fé sem Deus.

E lá os vejo seguir,

ridiculamente articulados,

em gestos mecânicos, padronizados,

aprendidos pela mesma cartilha.

E eu fujo desse lugar,

e corro pelo tal caminho tortuoso,

mais queimado pelo sol,

certamente menos distinto,

mas onde as palavras são lugares

e o coração me serve de bússola.

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