Asides

Às vezes sinto que andamos todos numa corrida sem sentido, uns atrás dos outros. Ninguém sabe porque corre, todos se seguem estupidamente uns aos outros e ninguém pára para se questionar. Levámos a simbologia da igualdade ao expoente máximo do ridículo. Nesta cultura de massas, não há espaço para a variedade, somos todos um simples esparguete. O único resultado da corrida é uma anulação da nossa identidade e a absurda criação de uma manta de retalhos em que todas as partes são surpreendentemente iguais. Somos meras criaturas que se obrigam a ter gostos comuns e a aspirar a objetivos de entendimento universal. Alguém que venha e agite esta acomodação leviana, esta aceitação mesquinha que nos impede de avançar, de criar. Soltemos as amarras e persigamos novamente as nossas singularidades, o que nos torna diferentes, especiais. Vamos ser originais, excêntricos, únicos. Transformemos de uma vez por todas esta aborrecida massada numa tagliatelle de primeira

Massa às colheres

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A vida tem pequenos pecados deliciosos. Pequenos momentos que caminham no inesperado e nos arrebatam e nos tiram o ar. São as pessoas, na grande maioria das vezes, são pessoas que me proporcionam estes momentos. Com todo o mal que há neste mundo, cravado em tantos corações perdidos, eu acredito cada vez mais na vitória do bom. Porque hoje eu apaixono-me constantemente pelas pessoas que me rodeiam. A amizade não é mais do que uma das facetas do amor. E é também por isso que hoje dou ainda mais valor aos afetos, às mãos que aperto e que me vão equilibrando nesta linha tão inconstante que é a vida. Hoje sinto o meu pequeno coração resguardado e a pairar sobre uma maravilhosa cama feita de algodão. E é também hoje, por mais longo que ele vos possa parecer, que percebo o calor da intimidade e de uma cumplicidade puramente certa e genuína que não rouba nada. O enquadramento perfeito que pode ser o nosso espaço e o que é comum a outros. “That’s when you know you’ve found somebody really special. When you can just shut the hell up for a minute and comfortably share a silence -Pulp Fiction”

A vida a ser ela própria

Tudo o que é verdadeiramente bom tem um reverso. Todas as fontes onde buscamos satisfação têm dor na mesma quantidade. Em palavras muito nossas, tudo nesta vida são ‘paus de dois bicos’. Um exemplo flagrante disso mesmo, é a música. A música tem um poder de transporte que dificilmente poderá ser explicado. Leva-nos em viagens grátis por caminhos nunca antes vistos, onde tudo parece possível. Pode acalmar-nos na mesma dose que nos pode levar a estados de alucinação, loucura, êxtase. Consegue ser leve e pesada como uma anestesia que nos aprisiona e liberta ao mesmo tempo. Umas vezes entorpece-nos os sentimentos outras revolta-os ainda mais dentro de nós. Talvez o seu maior poder seja que funcione como uma caixa de recordações. Pode trazer-nos de volta momentos, pessoas, sentimentos e conseguir matar alguma saudade ou atenua-la de alguma forma. Por outro lado pode trazer á tona velhas mágoas, amores nunca esquecidos, angustias que o tempo não consegue apagar. Mas consegue sempre atingir o equilíbrio na balança. É uma constante surpresa e um vício apetecível. A música é como a vida e a morte, é o doce e amargo, mas sempre, sempre bom.

Dêem-me música

Saber estimular a nossa imaginação é o caminho para estarmos menos sozinhos. Quando as insónias decidem deitar-se comigo, consigo sempre preencher esse tempo, sem que seja aborrecido. Nestes momentos pensar demais tem as suas vantagens. Idealizo cenários, alguns muito simples outros tremendamente complexos e faço da minha pessoa, na grande maioria das vezes, a protagonista. Não tenho por hábito partilhar o sumo destas longas películas mentais que vou criando, mas sei que são um estímulo poderoso e talvez necessário. Sei que muita gente não consegue criar estes enredos e sofre de alguma frustração devido a esse fato. A essas pessoas eu volto a explicar que a imaginação é como um elástico, se nunca a esticarmos ela será sempre do mesmo tamanho. Com a quantidade absurda de livros e filmes que já vi, digamos que a estiquei a um ponto em que não é possível criar grandes limites. Mas apesar disso, agradeço de alguma forma, a todas essas noites mal dormidas passadas entre páginas e páginas e que hoje tornaram a minha imaginação uma companhia de excelência, que mesmo que esforce nunca consegue ser aborrecida. Essa máquina de invenções que é a imaginação, tem um potencial ilimitado, que se for usado da forma correta nos poderá levar em viagens alucinantes, de profundo conhecimento interior. Vamos deixar de ser contidos e esticar a corda, prometo que valerá a pena.

Esticar a corda